Que inútil já se faz a espera de um sentimento neste quarto esquecido de toda a cidade, se não há quaisquer sinais de nenhum coração disposto, se os pensamentos vagam distante e regressam sempre sem ninguém, trazendo, de vez em quando, somente as mesmas respostas egoístas de um mundo que tem sido tão doloroso, que, com mil desprezos, me afasta de um final que ainda tenta ser feliz.
Que triste já se faz a ausência de um sentimento que, com segurança, me desse a mão, que me rasgasse, sem maiores cerimônias, este vasto histórico de solidão, se não consigo me encontrar completo e perfeito dentro de qualquer abraço, se sem rumo certo, caminho só por esta encruzilhada escura de esquecimentos.
E eu que queria estar apaixonado nesta última noite de novembro, podendo pintar neste meu céu sempre cinza, formas de luas que enfeitiçassem de carícias a madrugada, inventando beijos que dessem voz ativa a estes desejos, que me acendessem, libertassem e saciassem, finalmente, a alma.
E eu que queria estar apaixonado nesta última noite de novembro, determinado a, outra vez, me naufragar em um oceano profundo de ilusões, que limpassem destas almofadas o abandono da saudade e que, apesar de que não me garantissem nada, não me dissessem adeus quando no horizonte avistassem chegar a alvorada.